Interpretação de Texto Adolescência - Discurso

Os textos a seguir apresentam características do adolescente. O primeiro é um poema, no qual o eu lírico descreve como é o adolescente e seu modo de viver. O segundo está em prosa e constitui um trecho de uma reportagem que expõe o comportamento e o jeito de ser dos jovens na sociedade contemporânea. 
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Texto 1

Estação primavera

Esta não é plataforma de embarque
porque a viagem começa bem antes, 
mas é a primeira estação de passagem
para a descoberta final de si mesmo.

Não há bilhete que indique o destino,
nem placa, nem guia, nem mão, nem ensino.
A estrada exige somente coragem,
difícil traçado do próprio caminho.

O tempo é de sobra a existência contínua.
Espelhos não mostram o percurso dos anos.
O prazer da aventura e a paixão pela vida
sustentam ilusões e compensam enganos.

Para o corpo entregue à emoção timoneira
O horizonte mais amplo é frágil fronteira.
Tudo é passível de um gesto mais longe.
Tudo é possível de um novo começo.

O vento de popa estilhaça correntes:
antigas amarras de afagos paternos, 
trilhas seguras em mapas eternos,
palavras visíveis ao som de um olhar.

Nada resiste à invenção do momento.
Ser é um saber que respira no peito.
Dor é o sabor de um encanto desfeito.
Amar é saber o sabor de um cheiro.

A alegria se colhe na mão companheira,
a solidão se semeia à beira do amor.

TELLES, Carlos Queiroz.
Sonhos, grilos e paixões
São Paulo: Moderna, 1990. p.61


Texto 2

Caem os mitos sobre a adolescência
Uma série de estudos revela que os jovens não são tão inconsequentes, egoístas e preguiçosos quanto parecem.

Quando o assunto é criação de filhos, cada fase tem sua beleza e seus dissabores. [...]
Ousados, audaciosos, intempestivos... A ideia de que os mais novos ainda não têm noção do perigo tira o sono dos pais. Mas, se depender das pesquisadoras Jayne e Clea, eles podem voltar a dormir sossegados. Hoje, um maior conhecimento dos processos cerebrais revela que os jovens sentem medo sim, por exemplo, de contrair doenças sexuais ou usar drogas ilícitas. Por outro lado, a consciência do risco não os imobiliza. O estudo “Perspectiva Social e Neurocientífica do Comportamento de Risco do Adolescente”, do psicólogo americano Laurence Steinberg, de 2008, mostra que, ao ignorar o dano e enfrentar a situação, o adolescente se sente mais recompensado do que um adulto se sentiria. “Ressonâncias magnéticas revelam que a região do cérebro que recebe estímulos compensatórios do risco alcança níveis elevadíssimos nessa fase”, diz Clea.
Enquanto isso, explicam as pesquisadoras, a área cerebral que controla impulsos só amadurece na idade adulta. Além disso, o jovem se coloca em situações arriscadas em nome da aceitação social. E é essa a principal preocupação dos pais, segundo a presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, Quézia Bombonatto. “Sabem dos males, mas fumam, bebem e usam drogas para impressionar os colegas e não serem excluídos do grupo”, diz ela. “Nesse sentido, cabe uma orientação para que eles, ainda sem estofo para enfrentar pressões sociais, fortaleçam a sua personalidade.”
[...]
Um bálsamo para pais [...] diz respeito à imagem que eles acham que seus filhos fazem deles nesta fase. Muitos reclamam que seus rebentos gostam de desafiá-los o tempo todo e só ouvem os amigos. Outra afirmação que os estudos recentes derrubaram solenemente. É da natureza do jovem discordar do adulto. Eles encaram os conflitos como uma maneira de expressar seus sentimentos, enquanto os mais velhos levam para o lado pessoal. Além disso, adolescentes afirmam – e pesquisas confirmam – que os pais ou outros adultos, como parentes ou professores, são a sua maior influência. “Nessa época, os jovens se afastam dos pais e formam seu círculo social. É nessa fase que passam a valorizar as amizades”, diz Clea. “Mas isso não significa que eles não procurem ou não ouçam os adultos em questões mais densas.”
[...]


JORDÃO, Cláudia. IstoÉ, n.2111., p.66-68, 28 abr. 2010. (Fragmento)

1. Observe que o poema de Carlos Queiroz Telles foi publicado em 1990, e a reportagem, em 2010; portanto, vinte anos depois do poema. Você e os colegas de seu grupo vão identificar as ideias, os valores e os princípios que definem os adolescentes e o discurso desenvolvido por eles nesses dois períodos.

a) De início, identifique as ideias comuns e analise a linguagem nos dois textos.

b) Em seguida, verifique as ideias divergentes, tendo em vista o distanciamento entre as épocas e os diferentes momentos históricos e sociais em que cada texto foi produzido.

c) Verifique também se, apesar de expressos de forma diferente, os textos apresentam o mesmo discurso (temas e termos similares).

2. Reúna-se em grupo e, sob a orientação do professor, exponha suas opiniões sobre as ideias abordadas nos textos. Você e seus colegas devem comparar as semelhanças e diferenças entre as gerações de adolescentes representadas em cada um deles.


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Referência: Oficina de Redação - Editora Moderna 
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