Exercícios sobre variação linguística


1. (Exame Nacional do Ensino Médio - ENEM) As manchetes a seguir foram publicadas em jornais diferentes, mas referem-se a um mesmo fato: a falsificação de remédios. Observe: 

I. "Câmara torna fraude de remédio crime hediondo" 
II. "Falsificação de remédios será crime hediondo" 
III. "Agora é pena pesada" 

Percebe-se que há uma diferença entre a qualidade da linguagem utilizada pelos dois primeiros jornais e pelo último. Essa situação é provocada pelo seguinte fato: 

a) Os jornais I e II têm redatores de alto gabarito profissional, que não se preocupam se seu público entende a linguagem formal. 
b) O jornal III dirige-se a um público mais formal e erudito. 
c) O jornal III tem redatores menos experientes no uso da linguagem formal e erudita. 
d) Os jornais II e III dirigem-se a um público menos exigente e, por isso, utilizam a linguagem informal e não erudita. 
e) O jornal III usa uma linguagem menos formal para atingir um público mais informal e menos erudito. 

2. (Fundação Universitária para o Vestibular - São Paulo - FUVEST - SP) 

Texto 1 
Você pode dar um rolê de bike, lapidar o estilo a bordo de um skate, curtir o sol tropical, levar sua gata pra surfar. 

Considerando-se a variedade linguística que se pretendeu reproduzir nessa frase, é correto afirmar que a expressão proveniente de variedade diversa é: 

a) "dar um rolê de bike"; 
b) "lapidar o estilo"; 
c) "a bordo de um skate"; 
d) "curtir o sol tropical"; 
e) "levar sua gata pra surfar". 

3. (Universidade Estadual de Campinas - São Paulo- UNICAMP - SP) 

O texto "O FMI (Fundo Monetário Internacional) vem aí. Viva o FMI, do articulista Luiz Nassif, publicado na revista Ícaro, está redigido no português culto característico do jornalismo, e contém, inclusive, um bom número de expressões típicas da linguagem dos economistas, como "desequilíbrio conjuntural"," royalties", "produtos primários", "política cambial". No entanto, contém também termos ou expressões informais, como na seguinte frase: "Há um ou outro caso de mudanças estruturais no mundo que deixa os países com a broxa na mão". 

Leia o trecho abaixo, que é parte do mesmo artigo, e responda às questões: 

Países já chegam ao FMI com todos esses impasses, denotando a incapacidade de suas elites de chegarem a fórmulas consensuais para enfrentar a crise - mesmo porque essas fórmulas implicam prejuízos aos interesses de alguns poderosos. Aí a burocracia do FMI deita e rola. 
Há, em geral, economistas especializados em determinadas regiões do globo. Mas, na maioria das vezes, as fórmulas aplicadas aos países são homogêneas, burocráticas, de quem está por cima da carne-seca e não quer saber de limitações de ordem social ou política (...). Sem os recursos adicionais do Fundo, a travessia de 1999 seria um inferno, com as reservas cambiais se esvaindo e o país sendo obrigado ou a fechar sua economia ou a entrar em parafuso. O desafio maior será produzir um acordo que obrigue, sim, o governo e o Congresso a acelerarem as reformas essenciais. 
Revista ícaro, 170, out. 1998. 

a) Transcreva outras duas expressões do trecho que tenham a mesma característica de informalidade. 
b) Substitua as referidas expressões por outras típicas da linguagem formal. 

Questões 4 a 8 (VUNESP - SP) 

INSTRUÇÃO: As questões têm como base o texto a seguir. Escrito e interpretado pelo ator e dramaturgo Plínio Marcos (1935-2000), trata-se de transcrição de um vídeo exibido na Casa de Detenção (antiga penitenciária) em São Paulo. 

Aqui é bandido: Plínio Marcos! Atenção, malandrage! Eu num vô pedir nada, vô te dá um alô! Te liga aí: Aids é uma praga que rói até os mais fortes, e rói devagarinho. Deixa o corpo sem defesa contra a doença. Quem pegá essa praga está ralado de verde e amarelo, do primeiro ao quinto, e sem vaselina. Num tem dotô que dê jeito, nem reza brava, nem choro, nem vela, nem ai, Jesus. Pegou Aids, foi pro brejo! Agora sente o aroma da perpétua: Aids passa pelo esperma e pelo sangue, entendeu? Pelo esperma e pelo sangue! (pausa) 
Eu num tô te dando esse alô pra te assombrá, então se toca! Não é porque tu tá na tranca que virô anjo. Muito pelo contrário, cana dura deixa o cara ruim! Mas é preciso que cada um se cuide, ninguém pode valê pra ninguém nesse negócio de Aids! Então, já viu: transá, só de acordo com o parceiro, e de camisinha! (pausa) Agora, tu aí que é metido a esculachá os outros, metido a ganhá o companheiro na força bruta, na congesta! Para com isso, tu vai acabá empesteado! Aids num toma conhecimento de macheza, pega pra lá e pega pra cá, pega em home, pega em bicha, pega em mulhé, pega em roçadeira! Pra essa peste num tem bom! Quem bobeia fica premiado. E fica um tempão sem sabê. Daí, o mais malandro, no dia da visita, recebe mamão com açúcar da família e manda pra casa o Aids! E num é isto que tu qué, né, vago mestre? Então te cuida! Sexo, só com camisinha. (pausa) 
Quem descobre que pegô a doença se sente no prejuízo e quer ir à forra, passando pros outros. (pausa) Sexo, só com camisinha. Num tem escolha, transá, só com camisinha. 
Quanto a tu, mais chegado ao pico, eu tô sabendo que ninguém corta o vício só por ordem da chefia. 
Mas escuta bem, vago mestre, a seringa é o canal pro Aids. No desespero, tu não se toca, num vê, num qué nem sabê que, às vezes, a seringa vem até com um pingo de sangue, e tu mete ela direto em ti. Às vezes, ela parece que vem limpona, e vem com a praga! E tu, na afobação, mete ela direto na veia. Aí tu dança. Tu, que se diz mais tu, mas que diz que num pode aguentá a tranca sem pico, se cuida. Quem gosta de tu é tu mesmo. (pausa) E a farinha que tu cheira, e a erva que tu barrufa enfraquece o corpo e deixa tu chué da cabeça e dos peitos. E aí tu fica moleza pro Aids! Mas o pico é o canal direto pra essa praga que está aí. Então, malandro, se cobre! Quem gosta de tu é tu mesmo. A saúde é como a liberdade. A gente só dá valor pra ela quando ela já era! 

(Video exibido na Casa de Detenção, São Paulo. Créditos: Agência Adag (1988). Realização: TV Cultura, São Paulo. Duração: 2 min48s) 

4. O texto que lhe apresentamos não se realiza de acordo com a chamada norma culta da língua portuguesa. Cite três ocorrências gramaticais que caracterizam esse desvio da norma culta. Exemplifique-as. 

5. Que efeito argumentativo decorre do emprego dessa variedade de linguagem? 

6. Uma das virtudes do texto de Plínio Marcos é tratar a questão da Aids de maneira realista. Didaticamente, e de modo a se fazer rapidamente compreendido, utiliza-se da comparação e, em geral, quando substitui um termo por outro, o faz por uma aliança lógica entre as partes, designando o elemento por um termo que contém a qualidade de uma de suas partes. Com base neste comentário, releia atentamente o último parágrafo do texto e, a seguir: 

a) aponte os termos que substituem, respectivamente, cocaína e maconha; 
b) interprete a comparação "A saúde é como a liberdade". Para isso, leve em conta a situação dos destinatários e os objetivos que o emissor deseja alcançar. 

7. Logo no início de sua fala, Plínio Marcos se define como "bandido". Qual sua intenção argumentativa com tal apresentação? Que tipo de argumento o ator está empregando? 

8. Como se sabe, são comuns, nos presídios, violências sexuais entre os detentos. No terceiro parágrafo, Plínio Marcos se refere explicitamente aos agentes dessa violência. Que argumentos ele utiliza para tentar convencê-los a parar com esse tipo de prática?


Gabarito:

1. Letra E 

2. Letra B 

3.
a) "Aí a burocracia do FMI deita e rola"; " ... de quem está por cima da carne-seca"; 
b) "Aí a burocracia do FMI exerce seu domínio"; " ... de quem está controlando a situação". 

4. A chamada "mistura de pronomes" (exemplo: "Eu num tô te dando esse alô pra te assombrá, então se toca!"), a ocorrência do pronome tu com a terceira pessoa do verbo (exemplo: "Para com isso, tu vai acabá empesteado!"), o uso do pronome reto na posição de objeto (exemplo: "e tu mete ela direto em ti"). 

5. O autor se apresenta aos interlocutores como um deles. Este fator de identificação pode ampliar sua credibilidade frente a seus interlocutores. 

6.
a) Cocaína (farinha); maconha (erva). 
b) Referir-se à liberdade como termo de comparação com a saúde é argumentativamente forte no contexto porque os detentos vivenciam justamente a perda da liberdade e sabem o que isso significa. 

7. De novo, o autor da fala usa uma estratégia de se apresentar como igual a seus interlocutores e, portanto, não se apresenta como alguém de fora, mas como alguém de dentro, o que, neste caso, lhe dá mais credibilidade. 

8. Ele deixa claro que a aids não respeita ninguém. Qualquer um que não se cuide acaba contaminado e contaminando, depois, até mesmo membros de sua família. 




Referência: Português - Língua e Cultura (Editora Base Editorial)
Imagem: Google
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