sábado, 27 de agosto de 2016

Interpretação de artigo de opinião sobre consumismo para 8ºano


Consumismo 

Tudo parece mágico, grande e alegremente anárquico. Há música em todos os locais. As vitrines estão muito bem decoradas. O ambiente está propício para um passeio gratificante. Estamos, quase sem perceber, em uma selva de consumo onde, inevitavelmente, cairemos em algumas das "armadilhas" que equipes formadas por psicossociólogos, arquitetos, decoradores, iluminadores e especialistas em marketing prepararam para os consumidores potenciais. 
O ritmo musical que ouvimos, suave e quase imperceptível, tem suas razões de ser, assim como a disposição dos produtos em lugares determinados, a largura dos corredores e tudo o mais que nos impressiona em alguns supermercados ou shopping centers que incentivam a febre do consumo. Esses fatores são tão importantes que existem, em alguns países, laboratórios para testá-los. Na França, por exemplo, funciona, desde 1989, um supermercado-laboratório, onde o comportamento do consumidor é observado e analisado em detalhes. Esse falso supermercado, onde as cobaias são os clientes, é o menor do mundo - possui apenas 200 metros, com música ambiente. Os visitantes são selecionados em supermercados verdadeiros e recebem, ao entrar, uma lista de compras. Eles devem escolher as marcas e depois dizer por que preferem esta ou aquela. Na verdade, seus movimentos estão sendo estudados por especialistas escondidos atrás de vidros espelhados. Cada passo dado pelo cliente, cada expressão facial ficarão gravados em uma fita que será utilizada para estudo posterior. Hoje em dia, qualquer lançamento só é feito depois de o produto ter passado por esses tubos de ensaio. Os fabricantes sabem muito bem que é ali que se decide a sorte de seu produto. 
Para planejar melhor suas vendas - e fazer com que as pessoas consumam mais -, os supermercadistas já dispõem de algumas informações. Em primeiro lugar, sabem que o consumidor permanece durante uma média de 40 minutos dentro do supermercado, onde são apresentados de 4 a 6 mil produtos. Dessa forma, o consumidor só conta com alguns segundos para registrar tudo o que vê e decidir o que comprar. Por outro lado, sabe-se também que 50% dos produtos vendidos em supermercados são comprados por impulso. Isso significa que entre as mercadorias de compra planejada como o leite e o açúcar, entre outros - devem ser colocadas outras mercadorias, não programadas, que atraiam a atenção do consumidor. 
Outro recurso bastante utilizado é ter o preço de um produto anunciado em um grande cartaz, o que pode dar a sensação de que esse produto está em promoção, mesmo quando o preço não foi alterado. É frequente ver que, com técnicas semelhantes, uma determinada marca de café - para citar um exemplo - pode incrementar seu volume de venda. 
Um outro segredo se encontra nas prateleiras, que são geralmente dispostas em cinco de cada lado da gôndola. A prateleira de cima é a que mais se vê, embora fique um pouco fora do alcance da mão. A segunda e a terceira são as melhores, porque ficam à altura da vista e ao alcance das mãos. A quarta e a quinta são as menos valorizadas, por serem mais desconfortáveis de ver e alcançar. O objetivo, segundo especialistas, é chegar a um equilíbrio e evitar "pontos frios" dentro do supermercado. Para isso, colocam-se os setores de maior afluência de público - como os lácteos, por exemplo - perto de outros locais difíceis, cujos produtos têm, na maioria das vezes, uma rentabilidade maior. O objetivo final é que o cliente encontre a maior quantidade possível de produtos e aumente seu consumo. 
Os shopping centers também baseiam seu sucesso na exposição tentadora, mas acrescentam outros elementos - como a sensação de onipotência proporcionada pela arquitetura e a sensação de pertencer e possuir de que são tomados os clientes assim que entram no local. Segundo alguns psicólogos, outra característica inconsciente, certamente, mas muito forte, é a sensação de segurança e proteção que esses locais proporcionam. Além disso, são como grandes cenários onde as pessoas podem olhar, mexer, espiar, ver de tudo, ficar a par de tudo, satisfazer todas as inquietudes, ser espectadoras, protagonistas, desejosas de tudo o que está exposto, mas também capazes de obter o que veem. É assim que se criam uma tentação e uma excitação dos sentidos que põem em movimento a pulsão possessiva das pessoas, por meio de estímulos visuais, olfativos, auditivos, racionais e também impulsivos e compulsivos. 
[...] 

IstoÉ Tudo: o livro do conhecimento. São Paulo: Três. [s.d.] p. 174-177. 

1. Releia este trecho do texto "Consumismo": 

Estamos, quase sem perceber, em uma selva de consumo onde, inevitavelmente, cairemos em algumas das "armadilhas" [...]. 

Sobre essas armadilhas do consumo em supermercados, responda a estas questões, de acordo com o texto lido: 

a) Quais são elas? 
b) Quem as prepara? 
c) Para que elas servem? 
d) Por que os consumidores se deixam levar por elas "quase sem perceber"? 

2. Reescreva a frase abaixo completando-a com a alternativa adequada. 

Os especialistas descobrem os meios eficazes de influenciar as compras ________. 

a) observando o comportamento dos consumidores nos supermercados em geral. 
b) conversando com os consumidores em shopping centers. 
c) analisando o comportamento de consumidores em supermercados-laboratório. 
d) fazendo perguntas diretamente aos consumidores, nas ruas. 

3. No terceiro parágrafo, são apresentadas informações usadas para planejar as vendas no supermercado. 

a) Quais são essas informações? 
b) O que são mercadorias de compra planejada? 
c) Por que as mercadorias de compra planejada são colocadas junto a outras mercadorias não programadas? 

4. Nos parágrafos 4 e 5 do artigo lido, são relacionados vários outros recursos utilizados para incentivar o consumidor a comprar no supermercado. Qual é o recurso empregado com o objetivo de: 

a) dar a sensação de que o produto tem preço em promoção? 
b) fazer o cliente encontrar a maior quantidade possível de produtos? 

5. Que recursos da construção dos shoppings são planejados para estimular os sentidos dos consumidores, provocando "a pulsão possessiva das pessoas"? 

6. Releia: 

Tudo parece mágico, grande e alegremente anárquico. Há música em todos os locais. As vitrines estão muito bem decoradas. O ambiente está propício para um passeio gratificante. Estamos, quase sem perceber, em uma selva de consumo onde, inevitavelmente, cairemos em algumas das "armadilhas" [...]. 

Em sua opinião, por que o autor escolheu a palavra selva para caracterizar o ambiente de consumo? 

7. O texto "Consumismo" deixa transparecer a opinião do autor sobre o assunto. Transcreva um trecho que comprove isso e explique-o. 



Gabarito:

1.
a) O ritmo musical, a disposição dos produtos, a largura dos corredores e tudo o que impressiona o consumidor.
b) As equipes formadas por psicossociólogos, arquitetos, decoradores, iluminadores, especialistas em marketing.
c) Para incentivar a febre do consumo.
d) Porque tudo parece mágico, impressiona: há música, vitrines decoradas, o ambiente convida a um passeio. 

2. Alternativa c. 

3.
a)  O consumidor 
permanece, em média, 
40 minutos dentro do 
supermercado: a ele são 
apresentados de 4 mil a 
6 mil produtos: ele tem 
pouco tempo para decidir; 
50% dos produtos 
vendidos são comprados 
por impulso. 

b) São as mercadorias 
que atendem as 
necessidades básicas de 
uma casa: produtos 
alimentícios. de limpeza e 
de higiene. 

4.
a) Anunciar o preço em 
um grande cartaz. 
b) Distribuir os produtos 
nas prateleiras de forma a 
evitar "pontos frios" .

5. A grandiosidade da 
arquitetura, que 
proporciona a sensação 
de segurança, de proteção 
e de pertencimento, 
planejada como cenário 
em que as pessoas 
podem olhar. mexer, 
espiar, comprar. 

6. Sugestão: 
Possivelmente para 
mostrar que esse 
ambiente esconde 
perigos e armadilhas para 
os consumidores. 

7. As metáforas selva de 
consumo e cobaias 
revelam nitidamente a 
critica negativa do autor 
aos procedimentos que 
comenta. 





Referência: Projeto Teláris (Editora Ática)
Imagem: Google
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