Análise poema O guardador de rebanhos de Alberto Caeiro - Questão de vestibular

Imagem: Google

(Unicamp-SP) o poema abaixo pertence a O guardador de rebanhos, de Alberto Caeiro: 

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no 
[Universo... 
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra 
[terra qualquer 
Porque eu sou do tamanho do que vejo 
E não do tamanho da minha altura... 
Nas cidades a vida é mais pequena 
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro. 
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave, 
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para 
[longe de todo o céu, 
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os 
nossos olhos nos podem dar, 
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza 
[é ver. 

PESSOA, Fernando. Obra poética
Rio de janeiro: Nova Aguilar, 1983. p. 142. 


a) Explique a oposição estabelecida entre a aldeia e a cidade. 
b) De que maneira o uso do verso livre reforça essa oposição? 


Gabarito

a) A aldeia é pequena e a cidade é grande em tamanho e extensão. A primeira possibilita uma visão mais ampla do que a segunda porque, na cidade, "grandes casas fecham a vista à chave / Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu". Caeiro é o poeta dos sentidos, sobretudo da visão. Para ele, ver é mais importante do que refletir, o que a cidade dificulta e a aldeia não. 

b) Os versos livres utilizados por Caeiro sugerem a ideia de uma amplitude de visão que a cidade grande limita, dada a sua estrutura física cheia de casas e edifícios. O verso "Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo..." sugere o alcance da visão do eu lírico quando está em sua aldeia; já o verso "Nas cidades a vida é mais pequena" é menor que o verso que abre o poema e nos remete à restrição que a cidade grande nos dá. 
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