Vou-me embora pra Pasárgada (exercícios)


Vou-me Embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei 

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive 

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar 

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Texto extraído do livro "Bandeira a Vida Inteira", Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90

1. Qual é o significado de Pasárgada para o eu lírico? 

2. No poema ocorre antítese entre aqui e lá. Identifique o espaço a que se refere cada um desses advérbios. 

3. Que verso do poema sintetiza o motivo da evasão da realidade? 

4. Esse mecanismo de evasão da realidade foi frequente em outro estilo de época. Qual? 

5. A realidade de Pasárgada não obedece à lógica. Anote dois fatos dessa realidade que permitem tal conclusão. 

6. Na adolescência, o poeta Manuel Bandeira contraiu tuberculose, que na época era uma doença fatal. Releia a terceira estrofe do poema e reflita: as atividades que o eu lírico vê como possíveis em Pasárgada são rotineiras na juventude. Por que, então, ele as valoriza tanto? 

7. Os anseios que o eu lírico pretende concretizar em Pasárgada são de natureza predominantemente espirituais ou materiais?  

8. Na biografia de Bandeira consta que lhe serviu de babá uma mulata chamada Rosa, que é citada no poema. Quem, lá em Pasárgada, exercerá o papel que Rosa desempenhou aqui? Por quê? 

Gabarito

1. Pasárgada pode ser entendido como o mundo do sonho, da fantasia, da ilogicidade, onde é possível realizar tudo. 

2. Aqui refere-se à realidade concreta do poeta; lá identifica o sonho, a utopia do eu lírico. 

3.  "Aqui eu não sou feliz."

4. No Romantismo. 

5. 1) O parentesco entre o eu lírico e Joana, a Louca de Espanha. 2) A possibilidade de chamar a mãe-d'água para lhe contar histórias.

6. O dado biográfico é interessante para a compreensão e a análise da poesia de Bandeira. As atividades possíveis em Pasárgada parecem excepcionais para um indivíduo doente, privado de realizá-las. 

7. São predominantemente materiais.

8. A mãe-d'água, que lhe contará histórias.
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