Interpretação sobre violência entre jovens com gabarito (Ensino Médio)


 VIOLÊNCIA, A NOVA ORDEM MUNDIAL?
 Guila Azevedo

“Não me convidaram
Pra esta festa pobre,
Que já vem marcada
Antes de eu nascer.
Não me elegeram
Chefe de nada!
O meu cartão de crédito
É uma navalha.”

(Cazuza, “Brasil”)

Um fenômeno que está se alastrando, tomando contornos bastante assustadores e deixando perplexos pais e autoridades, é a violência entre os jovens. Têm aparecido gangues de todo jeito, com todo tipo de bandeira. Há grupos que se originam ao redor de bandas de rock e que se manifestam de uma forma tão violenta que é impossível compreender como a música os inspirou.
Parece existir uma necessidade premente de sair do anonimato, de ganhar alguma notoriedade. Ser grafiteiro já foi uma boa forma. Hoje, pichar muros alheios já não dá ibope. Melhor é raspar a cabeça e perseguir gratuitamente qualquer pessoa que não nos agrade, em nome de qualquer ideia sem fundamento. 
Alguns alegarão que as profundas desigualdades sociais são a causa. Isso implica dizer que os jovens das classes menos favorecidas são mais violentos do que os de classe média ou alta. Como explicar, então, as depredações em condomínios de classe alta causadas por filhos de famílias que moram nesses condomínios? Como explicar que muitos roubos são cometidos por jovens a quem aparentemente não falta nada?
As depredações gratuitas ocorrem entre jovens que se sentem vivendo acima das leis, protegidos por pais que julgam o poder econômico suficiente para justificar a transgressão dessas leis. Esses jovens acabam por ter um comportamento que ultrapassa a atitude antissocial do adolescente e passa para a delinquência. Um limite tênue e perigoso. Neste caso, o alerta é para os pais: transgressão exige como consequência uma punição.
Os roubos por parte de quem aparentemente tem tudo parecem o grito de alguém a quem falta algo. Não é o objeto roubado que falta. Falta alguma coisa mais profunda, e tenta-se preencher o vazio com os objetos tirados de outros.

Poema Drummond - Interpretação com gabarito (7ºano)


Infância 

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
— Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!
Lá longe meu pai campeava
 no mato sem fim da fazenda.
E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Antologia poética, Record, 2001.