Tipos de FIGURAS DE LINGUAGEM com exemplos


Figuras de pensamento

Vamos começar pelas figuras de pensamento – que são as mais presentes no nosso dia a dia.

1. Comparação

É quando temos dois termos, que possuem uma certa semelhança, explícitos numa mesma frase. O uso das palavras “como” e “tal qual” ajuda perceber essa comparação.
Exemplo: “Meu coração é como uma estrela”

 2. Metáfora

É bem parecida com a comparação, porém o termo “como” não é explícito.
Exemplo: “Meu coração é uma estrela”.

É comum o emprego de palavras que fazem alusão a algo – nem sempre existe uma comparação, de fato.
Exemplo: “Pelos vales de teus olhos
                   De claras águas antigas”

Nesse caso, Vale de teus olhos pode ser uma alusão à profundidade do olhar e “De claras águas antigas” pode estar se referindo à cor dos olhos.

3. Antítese

É o emprego de palavras opostas dentro de uma mesma frase ou verso.
Exemplo: “Depois da luz, se segue a noite escura”. 

4. Paradoxo

É o uso de palavras opostas dentro de uma mesma frase que causam contradição – e geralmente são colocadas lado a lado.
Exemplo: “Não tenha medo de fazer uma tatuagem. É uma dor deliciosa”.

5. Ironia

É quando falamos algo querendo dizer o inverso. Essa figura de linguagem depende do contexto para ser identificada – se a pessoa não souber o que está acontecendo quando aquilo foi dito ou escrito, não conseguirá identificar a presença desse recurso.
Exemplo: imaginem que passou alguém bem feio na rua. Aí logo dizem “Meu Deus, que pessoa linda! ”. Só que não, né? 

6. Apóstrofe

A apóstrofe nada mais é que uma invocação.
Exemplo: “Dizei-me vós, Senhor Deus” – nessa frase estamos invocando “Senhor Deus”, mas poderia ser qualquer outra pessoa ou sentimentos. 

7. Hipérbole

É quando cometemos um exagero.
Exemplo: “eu estou morrendo de fome”. Usamos essa frase não para falar que estamos literalmente morrendo, mas para mostrar que estamos com muita fome.

8. Gradação

A gradação ocorre todas as vezes que apresentamos uma sequência de fatos, gradativos ou degradativos, em uma frase.
Exemplo: “Converta essa beleza em terra, em cinza, em pós, em sombra, em nada”. 

9. Prosopopeia

É a atribuição de características humanas a um animal ou um ser inanimado. Em outras palavras é quando fazemos uma personificação.
Exemplo: “Eu amo esses olhos que falam de amores”. Os olhos não falam, por isso a personificação.

Figuras de palavras: Tropos

Agora vamos conhecer as principais figuras de tropos.
Os tropos são desvios de sentido. Quando falamos de uma figura de linguagem dentro da categoria de tropos, ela será referente à mudança de sentido de uma palavra ou expressão.

10. Catacrese

É quando usamos uma analogia a algo para enfatizar aquilo que queremos dizer.
Exemplo: “Desde então procuro descascar os fatos”. Descascar não tem sentido literal nessa frase. Quando o autor usa essa palavra, ele quer dizer que chegou ao íntimo de um fato, que explorou com profundidade.

Além disso, pode ser usado quando não há uma palavra específica para determinado contexto e acabamos pegando um termo emprestado. Exemplo: “Vamos embarcar num avião espaçoso”.

O termo embarcar é referente a barcos, mas como não temos uma palavra específica para aviões, acabamos usando esse mesmo termo. 

11. Alegoria

É uma sucessão de metáforas.
Exemplo: “A felicidade é um estribo para o gênio, uma piscina para o cristão, um tesouro para o homem hábil, um abismo para os fracos”. 

12. Símbolos

Nada mais é que o uso de simbologias para indicar algo.
Exemplo: A pomba branca simboliza a paz, já a espada simboliza a guerra. 

13. Perífrase

É quando há a substituição de um nome por um conjunto de elementos que faz uma alusão a ele.
Exemplo: “De minha amarga descontente vida
                   Sem que nesta carreira tão comprida.
                   Um sincero prazer tenha gostado”.

Neste caso, a expressão “carreira tão comprida” se refere ao termo “vida”. 

14. Autonomásia ou Antonomásia

Na autonomásia, também chamado de antonomásia, nós temos a substituição de um nome próprio por um conjunto de elementos ou por uma característica desse nome próprio.
Exemplo: chamar a Margaret Thatcher de “Dama de Ferro” ou Jesus Cristo dizendo apenas “Filho de Maria”. 

15. Metonímia

É quando há a substituição de um termo por outro que lhe faça referência.
Exemplo: “Preciso comprar Gillettes novas para fazer a minha barba”. No lugar de dizer lâminas de barbear, nós acabamos usando o nome da marca. O mesmo acontece com Danone, Yakut, Maisena e outros.

Figuras de Harmonia

As Figuras de Harmonia são referentes ao ritmo do texto

16. Onomatopeia

É quando fazendo a imitação de um som.
Ela ocorre, por exemplo, quando escrevemos “O Tic Tac do relógio” – que é som que o ponteiro faz. Ele acontece também na frase “chove chuva, chove sem parar”. Nesse caso och provoca o som da chuva e caracteriza a onomatopeia.

17. Aliteração

É quando fazemos a repetição de consoantes.
Exemplo: “Levou seu retrato, seu trapo, seu prato”. 

18. Assonância

É quando fazemos a repetição de vogais.
Exemplo: “Um urubu pousou na minha sorte”. 

19. Paronomásia

É o uso de palavras iguais ou parecidas com sentidos diferentes.
Exemplo: “Não vês que a última estrela
                    no céu nublado se vela?
                    Colhe a vela
                    Ó, pescador! ”.

A palavra vela é usada em contextos diferentes. A primeira tem o sentido de aparecer e a segunda é a vela do barco. 

Figuras de Construção

Por fim, vamos conhecer as Figuras de Construção. Elas tratam justamente da parte visual do texto.

20. Anáfora

É a repetição de palavras ou expressões no início das frases ou versos.
Exemplo: “Um rio longo,
                   Um passo em falso,
                   Um prato fundo!”

21. Anacoluto

É a quebra de uma sequência lógica que gera uma desconexão entre as expressões antecedentes e posteriores.
Exemplo: Eles, seu único desejo era exterminar-nos”. 

22. Polissíndeto

É quando há a repetição dos conectivos numa determinada sequência.
Exemplo: “Trabalha e teima, e lima, e sofre, e sua”. 

23. Pleonasmo

Quando falamos de figuras de linguagem, o pleonasmo que ocorre na poesia é diferente do pleonasmo que condenamos na gramática.
Na poesia é uma redundância de palavra ou expressão para dar ênfase. 
Exemplo:
“Sete anos de pastor, Jacob servia.
Tabão, pai de Raquel, serrana bela.
Mas não servia ao pai, servia a ela”.

Já na gramática é um vício de linguagem. Por exemplo: subir a subida, entrar para dentro e etc.

24. Elipse

É a omissão de uma palavra subentendida.
Exemplo: “Iluminam-se os andares, (aqui há a palavra “prédio” subentendida.)
                   E os cafés, as tendas, os estancos”.

25. Zeugma

É a omissão de uma palavra subentendida já dita anteriormente.
Exemplo: “Iluminam-se os andares,                    
                   E os cafés, as tendas, os estancos”.
Já nessa segunda frase, a palavra “iluminam-se” está subentendida.

26. Hipérbato

Acontece quando há uma inversão na ordem direta da frase.
Exemplo: “Morreu o presidente” = verbo + sujeito. Sendo que geralmente escrevemos “O presidente morreu”, ou seja, sujeito + verbo. 

27. Quiasmo

O quiasmo é quando ocorre o cruzamento de palavras ou expressões num poema.
Exemplo: “Onde nasci, morri.
                   Onde morri, existo”.