segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Interpretação de notícia sobre padrão de beleza, meninas de rua, exclusão social, autoestima, direitos humanos e consumismo (8ºano)

Infratoras buscam sonho de consumo "cor-de-rosa" 


Meninas de rua vagam na Vila Mariana em busca de celulares e lentes coloridas 
Perfil psicológico das infratoras mostra a mesma situação de rua 
experimentada por suas mães e até avós 

Eliane Trindade
DE SÃO PAULO


Alisante de cabelo e lentes de contato coloridas são itens visados nos arrastões protagonizados por meninas de rua, com idade entre 9 e 15 anos, nas lojas da Vila Mariana, na Zona Sul de São Paulo. 
"Quero ser bonita, tia", disse uma delas para a conselheira tutelar Ana Paula Borges, 29, em uma das mais de vinte vezes em que foi encaminhada para atendimento pela polícia no último ano. Negras e mulatas de cabelos crespos, elas dizem querer alisar as madeixas para ficarem bonitas conforme o padrão de beleza estabelecido. Usam os produtos na rua. 
A mudança do visual chega à cor dos olhos. Elas furtaram um kit de lente de contato verde de R$ 100. Como não dava para todas ficarem com duas lentes cada, dividiram o pacote. Algumas usavam só uma lente ao serem levadas recentemente à delegacia. 
Nas fotos do grupo que ilustram o dossiê das sete garotas no Conselho Tutelar da Vila Mariana, as meninas fazem pose de modelo. Usam casacos rosa e acessórios. 
"Como toda criança e adolescente, querem consumir, comer e passear no shopping. Elas pedem. Se não ganham, furtam", afirma Ana Paula. 
Elas circulam nos metrôs Paraíso e Ana Rosa em busca dos ícones do consumo infantojuvenil: celulares, especialmente os cor-de-rosa. 
"Pego o celular das lourinhas que já olham pra mim com medo", diz a garota negra, gorro rosa. Ela tem 11 anos, não se acha bela. "Bonita, eu? Olha a cor da minha pele", corta, diante do elogio. 
O perfil psicológico e socioeconômico do grupo foi desenhado ao longo de uma série de contatos com conselheiros tutelares e monitores do programa Presença Social nas Ruas, da prefeitura. 
Todas elas têm um histórico de abandono há gerações. "As mães delas viveram a mesma realidade de rua", diz Kátia de Souza, conselheira. 
"É uma segunda e até terceira geração na rua. É como se fosse hereditário", confirma Ana Paula. 
Famosas 
Desde o início de julho, os furtos das meninas na região começaram a chamar a atenção. Atraídas pela repercussão, outras crianças resolveram fazer o mesmo. 
Segunda-feira, cinco meninas e dois meninos fizeram um arrastão num hotel, do Paraíso. Levados ao Conselho Tutelar da Vila Mariana, promoveram também um quebra-quebra no local. 
Um terceiro grupo também agiu no ltaim Bibi (zona oeste) na última terça. 

TRINDADE, Eliane. Folha de S.Paulo, 28 ago. 2011. Disponível em: 
<http://wwwl.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2808201101.htm>. Acesso em: 19 jan. 2015. 


1. De acordo com a notícia, por que, nos arrastões promovidos pelas meninas, os itens mais visados são alisante de cabelo e lentes de contato? 

2. Pelo que se pode deduzir pela leitura da notícia, qual é o padrão de beleza estabelecido pela sociedade? 

3. Que argumento é dado pela conselheira tutelar para justificar a ação das meninas? 

4. De acordo com o texto, qual é o ícone do consumo infantojuvenil? 

5. Releia o parágrafo a seguir: 

"Pego o celular das lourinhas que já olham pra mim com medo", diz a garota negra, gorro rosa. Ela tem 11 anos, não se acha bela. "Bonita, eu? Olha a cor da minha pele", corta, diante do elogio. 

> Levante uma hipótese: Por que razões a garota não se considera bonita? 

6. Em relação ao perfil psicológico e socioeconômico do grupo, que semelhança foi encontrada entre 
as garotas? 

7. Que consequências decorreram do fato de os arrastões das meninas terem se tornado famosos? 

> PARA REFLETIR E DISCUTIR

Você concorda com a ideia de que consumir é um direito? Será que as leis brasileiras garantem esse direito aos cidadãos? Para discutir essa questão com seus colegas, leia o que diz um trecho da Declaração Universal dos Direitos Humanos: 

Artigo 205
1. Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e à sua família saúde, bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle. 

Declaração Universal dos Direitos Humanos. Unicef Disponível em: <http://www.unicef.org/brazil/ 
pt/resources_10133.htm>. Acesso em: 31 mar. 2015. 



Gabarito:

1. Porque as meninas querem ficar bonitas de acordo com o padrão de beleza estabelecido. 

2. Cabelos lisos e pele e olhos claros. 

3. Elas querem consumir, como toda criança. Elas pedem e, se não ganham, furtam. 

4. Celulares, especialmente os cor-de-rosa.

5. Resposta pessoal. É importante perceber o papel da sociedade e da mídia na imposição de um padrão de beleza, assim como a relação entre exclusão social e autoestima, tendo em vista que a primeira não permite que o indivíduo se sinta parte de um grupo e, consequentemente, faz com que ele não se encaixe nos padrões de beleza. 

6. Todas elas têm um histórico de abandono há gerações. As mães e, em alguns casos, as avós também viveram a mesma realidade. 

7. Atraídas pela repercussão, outras crianças resolveram fazer o mesmo.

> PARA REFLETIR: Respostas pessoais. A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi adotada e proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas (resolução 217 A III), em 10 de dezembro de 1948. Com essa discussão, espera-se que os alunos reflitam sobre o fato de que a cidadania não pode ser assegurada exclusivamente pelo consumo. 





Referência: Tecendo Linguagens (Editora IBEP)
Imagem: Google
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