HISTÓRIA PEQUENA - Uma surpresa para Ariel


Uma surpresa para Ariel

Ariel se sentia um pouco triste. Sentada em uma varanda do castelo, ela olhava o mar. Mergulhada em seus pensamentos, ela não via Sebastião, Linguado e Sabidão, que se aproximavam. Como em cada manhã, eles iam visitar a amiga. 
— Novidades, minha pequena? — gritou Sabidão, aterrissando ao lado dela. — Ah! Você não parece contente! Diga, no meu ouvido, o que a incomoda e talvez eu possa ajudá-la. 
Ariel deu de ombros, mas confiou seu segredo à gaivota, que disse em seguida: 
— Vou deixá-los, amigos, eu devo partir, tenho una coisa urgente para resolver! Bye, bye! 
E ela voou rapidamente. Ariel, triste, rapidamente se despediu de seus amigos para entrar no castelo e fazer uma longa sesta. 
Quando acordou, já era noite. 
Boa noite, princesa — disse o príncipe Eric quando ela abriu os olhos, tenho uma surpresa para você. Coloque o seu mais belo vestido, vou levá-la a um lugar. 
Feliz com a atenção, Ariel se apressou para e preparar. 
— Você está magnífica - disse o príncipe, maravilhado, quando a princesa ficou pronta. — Feche os olhos e segure meu braço! 

— Mas aonde você vai me levar? — perguntou Ariel. — Para um passeio de barco? Ou é um banho de mar à luz do luar? 
Ela escutou cochichos e risos abafados. 
— Abra os olhos! — disse, em seguida, o príncipe. 
E foi o que Ariel fez ...

Lygia Fagundes Telles - Interpretação - Que se chama solidão (Invenção e memória)


**Gabarito no final**

Que se chama solidão 
Chão da infância. Algumas lembranças me parecem fixadas nesse chão movediço, as minhas pajens. Minha mãe fazendo seus cálculos na ponta do lápis ou mexendo o tacho de goiabada ou ao piano; tocando suas valsas. E tia Laura, a viúva eterna que foi morar na nossa casa e que repetia que meu pai era um homem instável. Eu não sabia o que queria dizer instável mas sabia que ele gostava de fumar charutos e gostava de jogar. A tia um dia explicou, esse tipo de homem não consegue parar muito tempo no mesmo lugar e por isso estava sempre sendo removido de uma cidade para outra como promotor. 
Ou delegado. Então minha mãe fazia os tais cálculos de futuro, dava aquele suspiro e ia tocar piano. E depois, arrumar as malas. 
- Escutei que a gente vai se mudar outra vez, vai mesmo? perguntou minha pajem Maricota. Estávamos no quintal chupando os gomos de cana que ela ia descascando. Não respondi e ela fez outra pergunta: Sua tia vive falando que agora é tarde porque a Inês é morta, quem é essa tal de Inês? 
Sacudi a cabeça, não sabia. Você é burra, Maricota resmungou cuspinhando o bagaço. (...) 
- Corta mais cana, pedi e ela levantou-se enfurecida: Pensa que sou sua escrava, pensa? A escravidão já acabou!, ficou resmungando enquanto começou a procurar em redor, estava sempre procurando alguma coisa e eu saía atrás procurando também, a diferença é que ela sabia o que estava procurando, uma manga madura? Jabuticaba? Eu já tinha perguntado ao meu pai o que era isso, escravidão. Mas ele soprou a fumaça para o céu (dessa vez fumava um cigarro de palha) e começou a recitar uma poesia que falava num navio cheio de negros presos em correntes e que ficavam chamando por Deus. Deus, eu repeti quando ele parou de recitar. Fiz que sim com a cabeça e fui saindo. Agora já sei. 

TELLES, Lygia Fagundes. 
Invenção e memória. 

1. De acordo com o texto, entende-se que o chão da infância da narradora é marcado: 
a) pela incômoda viuvez da tia. 
b) pela ausência do pai. 
c) pelo convívio com família e pajens. 
d) pelo medo da escravidão. 
e) pela indiferença das pajens.